terça-feira, 31 de agosto de 2010

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

(…) e por falar em eleição:

Quem governa o poder político ?
O poder econômico.
E quem governa o poder econômico ?
A vaidade.
E o que alimenta a vaidade ? 
O desejo de poder.
E o que pode gerar o poder político ?
Poder econômico.
E quem governa o poder econômico ?

(…)

Nota: Assisto fantoches fantasiados de autoridade vendendo esperança aos cegos famintos: rir pra não chorar ?
Jeferson Torres.

Vem ai o ECUM 2010

 

Esquentem os motores para mais um ECUM (Centro internacional de formação e pesquisa em artes cênicas) chega a sua décima segunda edição com uma programação muito atrativa aos interessados na pesquisa sobre o fazer artístico cênico.Nascido da inquietação de artistas de Belo Horizonte insatisfeitos com o atraso entre as práticas teatrais e as reflexões geradas por essa, o evento que surgiu na capital mineira mas já teve edições sediadas na pauliceia desvairada, dessa vez divide-se entre as duas cidades.

Neste ano a espectativa é grande para o encontro com Anatoli Vassiliev, diretor russo que mantém mantém a tradição de diretores-pedagogos que remonta a Meyerhold e Stanislavski, e passa por Jerzy Grotowski e Eugenio Barba.Alexey Levinskiy trará ao ECUM uma oficina sobre a biomecânica, proposta de treinamento atoral criada por Meyerhold nas primeiras décadas do século XX.Tatiana Stepantchenko, outra russa, brindar-nos-á com “Analise-ação ou como se servir”, oficina que investiga a aplicação do método das ações físicas no trabalho criacional do ator e do diretor.Para fechar, o diretor-pedagogo russo Anatoli Vassiliev abordará o processo de tradução do texto literário para o texto cênico tomando como base “Tio Vania” e “A gaivota”, ambos de Tchekhov.

Mas o ECUM não para por ai.Preferi aqui postar apenas algumas oportunidades ofertadas pelo evento para aguçar o interesse dos leitores.

Recorra ao site oficial do ECUM e saiba mais sobre importante evento que está para ocorrer: http://www.ecum.com.br/
E visite também o blog do ECUM: http://ecum.wordpress.com/

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A arte paranaense pede ajuda:

 

Segue mensagem anexa a e-mail que recebi hoje do técnico de atividades do SESC Londrina ,Alexandre Simioni.Por favor, peço para que leiam o post, assinem e divulguem o abaixo-assinado aqui linkado.Aqueles que quiserem obter mais informações sobre o caso podem entrar em contato diretamente com o Alexandre pelos telefones (43) 3378-7829 / 9982-3238 (Sesc Londrina) ou pelo e-mail:

CARTA DO CONSELHO MUNICIPAL DE CULTURA DE LONDRINA

No Diário oficial da União, de 29 de julho de 2010, o Conselho Nacional de Política Cultural – CNPC informou que os estados de Minas Gerais, Rondônia e Paraná estarão excluídos do Sistema Nacional de Cultura pelo fato de não possuírem um Fundo Estadual de Cultura e um Conselho Estadual de Cultura. Isto significa que as populações desses estados não terão acesso a projetos financiados com recursos federais. Por exemplo: os grandes festivais do Paraná, que existem há muitos anos, poderão ficar sem esses investimentos inviabilizando a realização dos mesmos.

O fator mais grave desta exclusão se dá pela PEC 150/2003, emenda constitucional a ser aprovada ainda este ano pelo Congresso, que determina um piso mínimo do orçamento da Cultura de 2% para a União, 1,5% para os Estados, e 1% para os Municípios, e deste dinheiro da União 25% será disponibilizado aos Estados e 25% aos Municípios, ou seja, o Paraná e todas as suas cidades ficarão desfalcados tanto no seu desenvolvimento cultural e social, como também econômico. E, portanto, O CNPC recomenda que se crie um conselho estadual através de uma conferência para este fim.

No caso do Paraná, em 2009, foi realizada a II Conferência Estadual de Cultura na cidade de Campo Mourão. O evento reuniu representantes de diversas cidades do estado. Para se ter uma idéia, a Conferência de Londrina teve duração de três dias para se conseguir dar conta da demanda proposta pelos representantes dos segmentos culturais, enquanto que a Conferência Estadual disponibilizou apenas um dia para este fim e, ainda assim, utilizou parte deste tempo para apresentações culturais e vídeos institucionais atrasando o início do evento, reduzindo ainda mais o tempo disponível. A leitura do regimento da conferência não foi realizada e os debates não tiveram representantes do Governo do Estado para dirigir a mesa, sendo necessário que os delegados culturais se apresentassem como voluntários para isso.
Os resultados da Conferência Estadual de Cultura foram a votação das propostas do Estado do Paraná e a escolha dos delegados para a Conferência Nacional de Cultura. O que no ano passado era importante, hoje se tornou imprescindível para o Paraná: a criação de um Conselho Estadual de Cultura e de um fundo para a fomentação de projetos culturais. Diante do exposto, solicitamos que a Secretaria do Estado de Cultura, em caráter de urgência, tome as providências necessárias para que o processo cultural do Paraná não fique à margem do sistema nacional.

O Abaixo Assinado poderá ser impresso para o recolhimento do maior número de assinaturas possíveis.

 

MANIFESTAÇÃO

Nos reuniremos no CALÇADÃO (antigo Coreto) no dia 28 de agosto às 10h00

Saída do Cortejo às 10h30 levando o manifesto até a frente do Teatro Ouro Verde. Lá haverá pequenas apresentações culturais e falas entre elas.

Sua presença e as de pessoas ligadas a você e a cultura será imprescindível.

domingo, 22 de agosto de 2010

Hamlet em Moscou: notas para uma alocução aos atores do Teatro de Arte de Moscou


Em 1912 o teatrólogo inglês Edward Gordon Craig trabalho junto ao Teatro de Arte de Moscou na montagem de Hamlet.A carta que segue foi publicada na revista The Mask, de responsabilidade de Craig, na qual o visionário expunha suas reflexões pessoais sobre a arte teatral.Constitui um texto muito interessante, sobretudo para aqueles que se interessam pelas teorias craiguianas sobre o trabalho de ator, sobre a história do Teatro de Arte de Moscou, bem como para quem é apaixonado por esse gênio inconteste e atemporal chamado Shakespeare:

Não quero que vocês, quando chegarem a
representar este Drama de Reis e Príncipes,
criem a impressão de serem atores
atuando, pois isto quase sempre significa
algo insincero e, por alguma razão vergonhosa,
temos sido forçados a vê-lo denominado
de “teatral”.
Mas, vocês não devem ir para o outro extremo.
Se o fizerem, criarão uma impressão de
pessoas comuns que nunca viram uma corte,
muito menos um rei, e que não têm nenhuma
idéia da Realeza.
O Real ainda não é o Teatral, embora às
vezes os dois sejam confundidos. Vocês devem
tentar mover-se e falar como se estivessem em
uma atmosfera que é invulgar... pois Shakespeare
fê-la invulgar.
Para consegui-lo devem tentar pensar de
maneira invulgar e olhar todas as coisas como
coisas invulgares. O palco não oferece nada mais
difícil para os talentos de vocês.
Sou de opinião que nenhum grupo de
atores logrará representar cabalmente este senso
de Realeza até que eles se tornem eles mesmos
Reais... e para fazê-lo será necessário que vivam
suas vidas tendo por objeto supremo a cultura,
pois somente por este meio poderão absorveraquele ar que, depois de penetrar em um homem,
empresta-lhe ao menos uma certa maneira
que é magnificente e um certo tom que é doce.
É esta maneira e este tom que necessitamos
para a representação dos Poemas Dramáticos
de Shakespeare.
Eu disse cultura, pois propositalmente limito
nossas aspirações aqui à cultura: se eu fosse
adiante, deveria dizer que temos de entrar
primeiro naquele estado espiritual de êxtase que
podemos melhor imaginar do que falar a respeito.
Mas para o nosso propósito... o propósito
de Shakespeare... um estado Real é suficiente...
ou antes, não é nem a metade do caminho
para um estado religioso; e se pudermos alcançálo
de um modo ou de outro, não seremos todos
muito afortunados, chegando um passo mais
perto em direção ao estado espiritual?
E como alcançá-lo?
Agora, aqui, vocês me colocam face a face
com um Enigma ao mesmo tempo muito difícil
e bastante fácil de resolver.
Como fazer algo que é Redondo em cada
ponta ficar de pé tanto em uma, quanto na outra
ponta... O Ovo de Colombo.
Posso ajudá-los mas não ensiná-los, pois
isto é uma coisa que ninguém pode ensinar.
Posso contar-lhes algumas coisas que, se acreditarem
nelas, hão de colocá-los infalivelmente,com o tempo, mais perto do estado que denominamos
de extático.
Lembrem-se que o acme do êxtase não é
a excitação aparente, porém a aparente calma.
É o branco ardor da emoção... quer dizer, é quase
transe. Esse estado tem mil nomes e assume
uma miríade de formas. Nós o denominamos
sabedoria.
É pura emoção, com todas as suas impurezas
consumidas pelo fogo.
A fim de ter a coragem de empreender a
tentativa de entrar em tal estado, alguma grande
promessa deve-lhes ser feita de que a tentativa
não será efetuada em vão.
Eu lhes faço essa promessa. Vocês precisam
crer em mim, pois o que lhes digo é verdadeiro.
Prometo-lhes que poderão alcançar qualquer
estado desde que possam ver além dele. Sei
muito bem que, pelo menos dez ou vinte vezes
em suas vidas, vocês viram ou sentiram coisas
que lhes pareceram loucura. Vocês evitaram esses
sentimentos, não porque não gostassem deles,
mas porque não viram utilidade alguma em
apresentá-los... e assim ficaram com medo. Em
outras palavras, a imaginação despertou em
vocês e os possuiu por um ou dois momentos.
Agora, eu lhes digo que vocês precisam
despertar a Imaginação e deixá-la possuí-los por
inteiro. Tenham menos medo desses momentos
quando eles chegarem. Vão em direção deles...
corram o risco: sintam-se livres com eles;
deixem que eles os possuam. O êxtase nada mais
é senão um tipo de loucura... um tipo de loucura,
lembrem-se, não qualquer tipo de loucura.
É tudo que é Rápido... Branco... Candente...
Circular... Vasto... Firme.
É tudo o que vocês ousam sonhar e temem
chegar perto.
É o grande Perigo.
E por esta razão mesma eu lhes digo que
vocês devem ir ao seu encontro.
20 de novembro de 1909
Vocês querem chegar a entender e interpretar
uma das maiores obras de gênio que o mundo possui e, portanto, precisam aproximar-se do
estado desse gênio. Vocês precisam tornar-se
extáticos. Vocês precisam soltar-se.
É impossível acreditar que possam interpretar
uma obra tão grandiosa sem fazer uso de sua
própria grandeza. Vocês não podem fazê-lo pela
razão de cada um, que é a sua pequeneza. Vocês
só podem fazê-lo pelo poder da Imaginação.
Se vocês puderem afrouxar os laços que
aprisionam a liberdade de cada um (e sua imaginação
é sua liberdade), vocês se encontrarão
em condição para receber as comunicações de
minha imaginação.
Poderemos então nos lançar ao trabalho
e assenhorear-nos de seus segredos.
Se vocês permanecerem atados pelo intelecto
ou pela razão, nunca hão de me entender,
e seremos incapazes de chegar a algo. E eu tenho
uma só coisa a lhes comunicar. O êxtase de
Shakespeare.
Sob este cabeçalho um milhão de momentos
de loucura estão reunidos.

22 de Novembro de 1909

A loucura é algo que, quando parece ter êxito,
é chamada Heróica: quando falha é chamada
Desatino.
Tentar o que é chamado o Impossível...
isto é Loucura, e isto é Bem.
Em 20 de outubro de 480 a. C. travou-se
a Batalha de Salamina. Os gregos tinham 380
navios, e os persas 2000, comandados por
Xerxes. Eis a essência das palavras proferidas por
Temístocles, o general grego, antes da batalha:
“O argumento disto era que, em todas as
coisas que são possíveis à natureza e à situação
dos homens, há sempre o mais alto e o mais baixo”,
e que eles precisam pretender o mais alto
(Heródoto).
Eles assim o fizeram... e ganharam a batalha,
e a loucura da tentativa foi chamada de
Heróica... e justificada.
Vocês precisam fazer esta mesma tentativa
louca em Hamlet; e “se as Musas nos abandonarem
poderemos morrer” (Eurípides).
E agora que já lhes disse o que eu quero
de vocês, permitam-me adverti-los do que não
fazer. Eu lhes imploro, não pensem muito.
Todo mundo tem o hábito de pensar, mas
os atores modernos pensam muito, demais.
Pessoa nenhuma pode ver o céu pelo pensamento.
Ela o vê e o concebe por meio dos sentidos.
Pensar quando a música é tocada seria
ocioso... a gente deve simplesmente recebê-la na
alma, através dos sentidos.
E assim deve ser com Hamlet. Deixem
seus cérebros descansar e absorvam a beleza de
Hamlet através dos olhos e dos ouvidos e não
esqueçam o que é chamado toque, pois tem
muito a ver com os movimentos de vocês.
Por meio do cérebro... penando, a gente
pode atuar inteligentemente. Um homem inteligente
é aquele que pensa... e vocês são conhecidos
na Europa por serem a companhia de atores
mais inteligente do Ocidente. Por meio dos
sentidos e da alma vocês podem se tornar a mais
profunda... a mais bela... a mais espiritual.
Assim, meus caros, não pensem muito...
e sintam mais... muito mais. E deixem-me contar-
lhes agora que eu aprecio muito todos vocês
e farei qualquer coisa que estiver ao meu alcance,
e tudo o que eu puder, para lhes ajudar durante
esta sua interpretação do nosso Hamlet;
mas são vocês que têm a tarefa mais árdua... que
é induzir de bom grado a vocês mesmos ao mais
simples estado de ser possível; e vocês só podem
fazer isto escolhendo os meios mais elevados em
lugar dos mais baixos: os sentidos e a alma em
vez do cérebro.

30 de novembro de 1909

Foi provado por experiência que os Poemas
Dramáticos Shakespearianos não podem ser representados
da mesma maneira como representamos
as peças modernas.
Toda a cor abandona os Poemas quando
os interpretamos como interpretamos Ibsen, ou
Tchékov.
Uma diferença entre Shakespeare e os escritores
modernos é que, enquanto estes lidam com homens e mulheres, ele lida com tipos. Seu
amante é o tipo de todos os amantes, que nada
distingue salvo a sua paixão. Conhecemos detalhes
acerca de sua vida, mas não conhecemos
seu caráter. Shakespeare apenas nos mostra sua
paixão. É a paixão do Poeta. Romeu canta e flutua
diante de nós,... ele não conversa e anda.
Ele ama... ama de novo... adoece... revive... adoece
novamente... encontra o Destino... e morre.
E a Paixão, não o Caráter, cunha sua marca
na tragédia toda de Romeu e Julieta. Somente
lá onde algo de cômico deve ser revelado é
que o Caráter é utilizado. Aprendi isto de meu
amigo Yeats, nosso grande poeta irlandês.
Bem, então...
Uma companhia de atores que for representar
esta peça deve pesar tudo isso cuidadosamente.
É porque os modernos produtores teatrais
e atores tentam transformar os Poemas Dramáticos
Shakespearianos em Peças de caracteres
que os diretores de cena e atores atuais produzem
resultados tão lamentáveis.
Hamlet é feito de Paixão... Estilo... Música...
e Visão: mas não Caráter.
O Caráter aparece apenas incidentalmente
nas figuras dos dois coveiros, e até eles
têm algo daquela estranha aparência mística,
aquela estranha e mágica expressão de rosto que
detém nossa atenção em muitos dos retratos
gregos e nos afrescos de Pompéia.
Olhando-os, ficamos surpresos com o que
eles parecem ver... ou o que viram há muito
tempo passado e está refletido em seus olhos e
nas suas bocas. Uma gravidade que presta uma
rara beleza aos olhos arregalados e à boca levemente
aberta (nas máscaras da tragédia ou da
comédia grega a boca era assim indicada, aberta.
É o estado apaixonado. A boca fechada é o
estado intelectual). O Caráter aparece também
em Osric... e em Polônio.
E agora... como deve lidar com Hamlet
uma companhia cujos atores treinaram para representar
Peças de Caráter, como vocês fizeram,
baseando seus métodos de representação na realidade
em vez da Poesia e Imaginação?
Devem eles fazer melhor do que tratar
isto como um Romance... uma coisa de fantasia...
ou uma realidade? Ousam eles a enfrentar
coisa como ela é?
Para mim, o segredo do poder de representar
a peça reside na capacidade do ator entender
a Paixão... o branco ardor da Paixão, a
calma da Paixão, seu êxtase, e em ter dado a vida
para a criação de uma técnica que deve transmitir
êxtase àqueles que a estão olhando.
Fosse Grasso, nosso formidável Giovanni,
interpretar Hamlet, deveríamos esperar e exigir
ardor e rubor. Isto é uma outra história.
Hamlet é um santo... no entanto ama
Ofélia... nisto ele é um santo; no entanto mata
Polônio... nisto um santo...
Como assim?, perguntam vocês. Porque
ele é a criação da Imaginação, porque um Poeta
criou. Ele não é realidade. Lembrem-se do
sorriso da Gioconda que é o sorriso de Leonardo...
Hamlet tem este sorriso.
No entanto Hamlet fala muito?
Bem, não devemos tocar nesse assunto
terrível, pois ele é, infelizmente, demasiado verdadeiro.
Pode o ator hoje em dia compreender
este estado de ser, criado pela Imaginação?...
Pode ele chegar a isto?
Vamos ao ponto, então. Esta é uma questão
que lenta e relutantemente impele-nos para
frente, em busca de uma resposta...
É tão Trágico como a Tragédia de Hamlet.
Se a resposta foi “Não”, por que então
não pode ele entendê-la?
Porque...
NÃO! Nenhum homem, mas somente
anjos podem responder essa questão.
Quando o Amor, por sorte, retornar ao
Teatro dos Teatros, ele renascerá. Quando ele
voltar à Terra entrará no Teatro.
Venha, Chuang Tzu, venha me ajudar;
diga-lhes o que quero dizer... ou melhor, digalhes
que não estou totalmente errado no fato
de, por Paixão, eu me referir não às paixões...
“Hui Tzu disse a Chuang Tzu: ‘Existem,
então, homens que não têm paixões’?
Chuang Tzu replicou: ‘Certamente’!
‘Mas se um homem não tem paixões’, argumentou
Hui Tzu, ‘o que o torna homem?’
‘Tao’, replicou Chuang Tzu, ‘dá-lhe sua
expressão, e Deus dá-lhe sua forma. Como poderia
ele não ser um homem?’
‘Se, então, ele é um homem’, disse Hui
Tzu, ‘como pode ele não ter paixões?’
‘O que você entende por paixões’, respondeu
Chuang Tzu, ‘não é o que eu entendo. Por
um homem sem paixões entendo um homem
que não permite que o bem e o mal lhe perturbem
a sua economia interna, mas, antes, conforma-
se com o que quer que possa lhe suceder,
como um fato natural, e não aumenta a soma
de sua mortalidade.’
‘Os homens puros dos velhos tempos
dormiam sem sonhos, e acordavam sem ansiedade.
Comiam sem discriminação, respirando
haustos profundos. Pois homens puros tiram
alento de suas profundezas mais extremas; os
vulgares somente de suas gargantas. Dos desonestos,
as palavras são arrotadas como vômito.
Se as paixões dos homens são profundas, sua
divindade é superficial.’
‘Os homens puros dos velhos tempos não
sabiam o que era amar a vida nem odiar a morte.
Eles não exultavam o nascimento, nem se
esforçavam em protelar a dissolução. Rápido vinham
e rápido iam... nada mais. Não se esqueciam
de onde foi que haviam brotado, nem
procuravam apressar seu retorno para lá. Alegremente,
representavam as partes a eles destinadas,
esperando pacientemente pelo fim. Isto é o
que se chama não levar o coração a perder-se de
Tao, nem deixar o humano suplementar o divino.
E isto é o que se entende por um homem
puro’.”

Eis a essência do que eu desejava dizer aos
atores do Teatro de Arte de Moscou. Mas vendo
seus bondosos semblantes e testas vincadas
não tive coragem de acrescentar um vinco a
mais. Tive ao menos o espírito para me abster
uma vez mais... e eu fiz mais um desenho para
um Über-Marionette.
Gordon Craig (1872-1966). Encenador e teórico inglês.
* Texto originalmente publicado em The Mask, v. 7, n. 1, julho de 1914. Tradução de J. Guinsburg e
Fany Kon.
Fonte: CRAIG,Edward Gordon.Hamlet em Moscou:notas para uma breve alocução aos atores do Teatro de Arte de Moscou.In Revista Sala Preta, n.2,2002.São Paulo:USP,2002.p.78-81.Trad.Jacó Guinsburg e Fany Kon.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Gaiola das cabeçudas: o funk do intelectual

Quebrando com aquele tom às vezes assaz “acadêmico” que me é característico eu trago a vocês essa pérola do funk carioca.Gente, convenhamos: é preciso muita perspicácia pra conseguir compor uma letra dessas, juntando uma série de grandes nomes da história mundial: é o pensamento universal de A a Z num batidão “daquele jeito” (…).Sejamos mais intelectuais e menos intelectualóides, por favor…
Fantástico.Não sei de vocês, mas eu adorei !

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Cinema francês na Londrina brasileira:

 

De 17 a 21 de agosto o SESC estará exibindo filmes franceses produzidos em 1959-1960.Corre lá que terá muito Bresson, Godar, Truffaut, Resnais e Chabrol pra vocês.Todo dia às 20h.A entrada? De graça !

Para mais informações ligue:

SESC Londrina - (43) 3378-7829 / 9982-3238

Curta londrinense ganha prêmio em Gramado:

 

A pouco tempo tive a oportunidade de realizar uma oficina de realização em cinema aqui em Londrina com integrantes da KINOARTE.Assim, minha alegria é maior ao anunciar que Rodrigo Grota, diretor do curta-metragem Londrinense “Haruo Ohara”, recebeu ontem, dia 15 de agosto de 2010, o prêmio de melhor filme e melhor diretor no Festival de Cinema de Gramado.Rodrigo integra a KINOARTE.Haruo Ohara, a personalidade tema do filme, foi um fotógrafo japonês que viveu por aqui entre 1934 e 1999, quando veio a falecer.

O filme também recebeu os kikitos de melhor fotografia, para Carlos Ebert, e prêmio estudantil, novamente, para Rodrigo Grota.

Para saber mais: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/783242-broder-de-jeferson-de-recebe-o-premio-de-melhor-filme-em-gramado.shtml

domingo, 15 de agosto de 2010

Teatro pós-dramático:dramático

Por: Jeferson Torres Lopes[1]

Eis ai a tese de Lehmann como explicada pelo comentário prefacial de Sérgio de Carvalho:

“Teatro pós-dramático parte da hipótese de que a partir dos anos 1970 ocorreu uma profunda ruptura no modo de pensar e fazer teatro.Algo que já estava anunciado pelas vanguardas modernistas do começo do século XX – a valorização da autonomia da cena e a recusa de qualquer tipo de textocentrismo – se desenvolve mais radicalmente, a ponto de assumir um sentido modelar como contraponto da arte ao processo de totalização da indústria cultural” (CARVALHO in LEHMANN,2007,p.7).

Afirmemos em consonância com Lehmann que, a partir da data indicada na citação anterior, realmente ocorre uma aceleração no processo de libertação do discurso cênico das amarras que lhe incutiam o texto dramático, agudizando assim um objetivo que, de fato, remonta às vanguardas das primeiras décadas do século XX.Resta saber se o teatro “pós-dramático” constituiria numa ruptura com seu antitético, o “dramático” – e, também se a pós-modernidade deve ser assumida como ruptura ou continuidade em relação à modernidade, mas isso já é outra história.Mas é o próprio Lehmann que nos chama a atenção, já nas premissas preliminares à sua dissertação, para o fato de que

“Textos importantes continuam a ser escritos, e a expressão “texto teatral”, com frequência empregada de maneira desdenhosa, longe de significar algo meramente ultrapassado, haverá de se mostrar no decorrer da investigação como uma variedade genuína e autêntica do teatro pós-dramático (LEHMANN,2007,p.19)”.

Sendo assim, resta refletir sobre o termo cunhado por Lehmann para referir-se às práticas teatrais discutidas em seu livro.É, percebamos,um vocábulo que não exclui o dramático.Mas, é digno de nota: o prefixo “pós”, pode sugerir a superação daquilo que veio antes.For o caso, resta-nos ainda a superação da definição de drama ainda paradigmática do senso-comum:

“Num sentido geral, o drama é o poema dramático, o texto escrito para diferentes papeis e de acordo com uma ação conflituosa” (PAVIS,2007,p.109).

Pensar em drama como ação, resgatando a etmologia da palavra, talvez poderia servir de antídoto contra a a visão geral deste como texto escrito, que, não obstante contraste gritantemente com a prática teatral contemporânea, nos assombra sempre que afirmamos – mesmo que por oposição – sua presença no termo escrito.Stanislavski (2008,p.40, tradução nossa):

“A base do teatro é fazer, dinamismo.A palavra “drama” em si mesma, no grego antigo, significa “uma ação sendo apresentada”.Em latim a palavra correspondente é actio, e a raíz dessa mesma palavra passou para nosso vocabulário, “ação”, “ator”, “ato”.Então, drama é uma ação que podemos ver sendo apresentada,e, quando ele chega até nós, o ator se torna um agente nessa ação (STANISLAVSKI,2008,p.40, tradução nossa).[2]

O teatro enquanto ação ecoa em verbo através dos tempos.Findo o espetáculo resta a crítica.Passado o tempo, resta a interpretação do fato pela história escrita.E, por um lado, que bom que assim o é, deste modo podemos conversar com os mortos afirmando-os vivos.Mas o teatro continua, seja ele pré-dramático, dramático, pós-dramático ou o que for, ação presente no aqui e agora.E para citar Grotowski (1976,p.167):“O teatro é um encontro”.

[1] Bacharelando em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Londrina.

Referências bibliográficas:

GROTOWSKI,Jerzy.Em busca de um teatro pobre.Rio de Janeiro:Civilização Brasileira,1976.Trad.Aldomar Conrado.

LEHMANN,Hans-Thies.O teatro pós-dramático.São Paulo:Cosacnayfy,2007.Trad.Pedro Süssekind

PAVIS,Patrice.Dicionário de teatro.São Paulo:Perspectiva,2007.3ª edição.Trad.Jacó Guinsburg e Maria Lúcia Pereira.

STANISLAVSKY,Konstantin.An actor’s work: a student diary.USA and London:Routledge,2008.Trad.Jean Benedetti.


[2] ‘Acting is action. The basis of theatre is doing, dynamism. The word “drama” itself in Ancient Greek means “an action being performed”. In Latin the corresponding word is actio, and the root of this same word has passed into our vocabulary, “action”, “actor”, “act”. So, drama is an action we can see being performed, and, when he comes on, the actor becomes an agent in that action.

sábado, 14 de agosto de 2010

Oficinas de teatro no SESC Londrina:

 

Ator em jogo

Oficina INICIAÇÃO À TRAVESSIA DO ATOR -NARRADOR Experimentos teatrais a partir de material não-dramático Coordenação: Lígia Borges e Roberta Stein (Teatro da Travessia – SP) A oficina propõe ao participante uma aproximação do processo criativo do ator narrador e do trabalho cênico a partir de textos não-dramáticos, ou seja, não criados diretamente para a cena. Mas quem seria esse ator-narrador? Qual a sua particularidade? O ator-narrador, em geral, não se limita à mimese (imitação) dos acontecimentos; ele pode realizar a inserção de comentários, criticas e questionamentos, mostrando seu ponto de vista sobre a cena. Pode lidar com materiais não-dramáticos de fontes diversas e criar imagens que dialoguem com os textos – não necessariamente reafirmando-os. Esse ator pode assumir posturas diversas em relação à história. Pode ser: 1) um narrador onisciente, que conta em 3ª. pessoa e se mantém à parte das situações; 2) pode ser envolvido, narrando, em 1ª. ou 3ª. pessoa, algo como se o tivesse vivido ou presenciado; 3) um narrador-personagem, que transita entre momentos de representação e de narrativa, e entre a interpretação de um papel e a narrativa; 4) ou ainda uma personagem-personagem, que age ou narra sempre mantendo o mesmo ponto de vista sobre a história. Para tanto, nos primeiros encontros serão realizadas experimentações com relatos pessoais dos participantes, de modo a serem conhecidos os assuntos e as formas de narrar que mais lhes interessam. Posteriormente, serão introduzidos referenciais literários diversos – levados por eles próprios e pelas coordenadoras, de modo que ambos os materiais se tornem estrutura das improvisações e cenas narrativas. Público alvo : Artistas, estudantes de Artes Cênicas, Letras, Pedagogia, Professores. Semana Literária SESC PR Oficina: Iniciação à travessia do ator narrador Ligia Borges e Roberta Stein (SP) 14, 15 e 16 de setembro - 14h às 18h Salão Social - SESC Londrina Inscrições gratis - vagas limitadas enviar carta de interesse e curriculo para: alexandresimioni@sescpr.com.br com assunto: OFICINA ATOR NARRADOR até dia 27 de agosto (quinta-feira) Nesta oficina, compartilhamos com os alunos um pouco da nossa prática na criação do espetáculo "Ele precisa começar", com algumas das ferramentas desenvolvidas em nosso processo criativo, exercícios físicos, jogos teatrais, jogos de percepção, trabalhos com texto, estudo das relações cênicas entre ação e narração, e técnica de improvisação.

Queremos estimular o material de trabalho de cada participante, seus próprios recursos corporais, vocais e imaginativos, buscando abrir vias de acesso para novas abordagens criativas e artísticas.

Ministrante: Alex Cassal, co-diretor do espetáculo

Alex Cassal nasceu em Porto Alegre em 1967, trabalhou nos anos 80 e 90 com os grupos teatrais gaúchos Oi Nóis Aqui Traveiz e Alcatéia. Foi um dos fundadores do Movimento de Grupos de Teatro de Rua de Porto Alegre , no qual contribuiu na busca de novas diretrizes para a arte em espaços públicos.

No Rio de Janeiro desde 1996, atua no território de cruzamento entre dança e teatro, performance e artes visuais , colaborando com artistas como Enrique Diaz, Dani Lima, Gustavo Ciríaco, Denise Stutz, Alice Ripoll e Felipe Rocha.

Em 2002, foi um dos dez artistas brasileiros selecionados para o projeto Dialogue Sessions RJ Springdance , com Thomas Lehmen, Jan Ritsema e Helena Katz. Em 2005, foi um dos realizadores do evento V::E::R - 1º Encontro de Live Art do Rio de Janeiro , na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Foi selecionado pelo Programa Rumos Itaú Cultural Dança 2006/2007 com dois projetos: a coreografia “ Gêmeos” e o videodança “ Jornada ao umbigo do mundo” , já exibido em festivais de cinema ou dança em países como Uruguai, Argentina, Chile, México, Alemanha, Grécia, Espanha, Croácia, Itália e Japão.

Em 2008, foi selecionado para o Programa de Residências Artísticas para Criadores de Iberoamérica e passou três meses no México, coordenando um projeto de pesquisa coreográfica para espaços urbanos. Em 2009, participou dos projetos Estúdios e Cartões de Visita , em Lisboa, promovidos pelo coletivo Mundo Perfeito , do diretor Tiago Rodrigues. Em 2010, colabora com o diretor carioca Enrique Diaz na nova produção do Coletivo Improviso , “Otro”.

Palco Giratório

Oficina: O trabalho do ator e 9 pontos de vista

Alex Cassal

23 e 24 de agosto - 9h às 13h

Sala de Ensaios - SESC Londrina

Inscrições gratis - máximo 15 participantes

enviar carta de interesse e para: alexandresimioni@sescpr.com.br com assunto: OFICINA PALCO GIRATÓRIO

até dia 19 de agosto (quinta-feira)

Oficina

INICIAÇÃO À TRAVESSIA DO ATOR -NARRADOR

Experimentos teatrais a partir de material não-dramático

Coordenação: Lígia Borges e Roberta Stein (Teatro da Travessia – SP)

A oficina propõe ao participante uma aproximação do processo criativo do ator narrador e do trabalho cênico a partir de textos não-dramáticos, ou seja, não criados diretamente para a cena. Mas quem seria esse ator-narrador? Qual a sua particularidade?

O ator-narrador, em geral, não se limita à mimese (imitação) dos acontecimentos; ele pode realizar a inserção de comentários, criticas e questionamentos, mostrando seu ponto de vista sobre a cena. Pode lidar com materiais não-dramáticos de fontes diversas e criar imagens que dialoguem com os textos – não necessariamente reafirmando-os.

Esse ator pode assumir posturas diversas em relação à história. Pode ser: 1) um narrador onisciente, que conta em 3ª. pessoa e se mantém à parte das situações; 2) pode ser envolvido, narrando, em 1ª. ou 3ª. pessoa, algo como se o tivesse vivido ou presenciado; 3) um narrador-personagem, que transita entre momentos de representação e de narrativa, e entre a interpretação de um papel e a narrativa; 4) ou ainda uma personagem-personagem, que age ou narra sempre mantendo o mesmo ponto de vista sobre a história.

Para tanto, nos primeiros encontros serão realizadas experimentações com relatos pessoais dos participantes, de modo a serem conhecidos os assuntos e as formas de narrar que mais lhes interessam. Posteriormente, serão introduzidos referenciais literários diversos – levados por eles próprios e pelas coordenadoras, de modo que ambos os materiais se tornem estrutura das improvisações e cenas narrativas.

Público alvo : Artistas, estudantes de Artes Cênicas, Letras, Pedagogia, Professores.

Semana Literária SESC PR 

Oficina: Iniciação à travessia do ator narrador

Ligia Borges e Roberta Stein (SP) 

14, 15 e 16 de setembro - 14h às 18h

Salão Social - SESC Londrina

Inscrições gratis - vagas limitadas

enviar carta de interesse e curriculo para: alexandresimioni@sescpr.com.br com assunto: OFICINA ATOR NARRADOR 

até dia  27 de agosto (quinta-feira)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Porto Alegre Em Cena 2010:

 

Vem ai mais um Porto Alegre Em Cena.Novamente nesta, como já aconteceu na edição anterior, o festival traz à cidade gaúcha a exposição “Video Portraits”, do multi-artista americano Robert Wilson.Além desta, que é uma das atrações mais esperadas do evento, a décima sétima edição do festival traz uma série de espetáculos nacionais e internacionais, além de atividades formativas:palestras, cursos e workshops com profissionais das artes cênicas de diversas partes do mundo.Segue a programação do festival como consta no site oficial do evento: http://www2.portoalegre.rs.gov.br/poaemcena/ :

"O Porto Alegre em Cena chega a sua 17ª edição com a excelência que faz dele um dos maiores festivais de teatro do mundo.  Alguns dos mais incríveis encenadores e artistas estarão reunidos na cidade em setembro: Bob Wilson, com sua montagem de “Happy Days”, de Samuel Beckett e a magnífica exposição VIDEO PORTRAITS que já passou por todas as grandes capitais do mundo e agora, graças ao Porto Alegre em Cena e ao Santander Cultural, chega a Porto Alegre; o lituano Eimuntas Nekrosius apresentando, de Dostoievski, o célebre romance “O Idiota”; Ute Lemper cantando um repertório escolhido a dedo, em que figuram desde os clássicos do cabaret alemão até Nick Cave; Goran Bregovic e sua incrível orquestra num repertório báltico desbravador; “Antígonas”, uma montagem argentina estrelada pela grande Ingrid Pelicori; a cantora portuguesa Maria João e o pianista Mário Laginha, juntos, no lançamento de “Chocolate”; Enrique Diaz com a premiada “In on It”; os gaúchos Paulo José, e a sensível encenação de “Um navio no espaço ou Ana Cristina César”, e Gilberto Gavronski, com “Dona Otília e outras histórias”, de Vera Karam; Adriana Calcanhotto e Marcelo Jeneci, com “Partimpim Dois” e “Feito para acabar”; citando alguns exemplos internacionalmente conhecidos. O festival, que acontece entre 8 e 27 de setembro,  reúne ainda o melhor da produção local em um conjunto de dez espetáculos que concorrem ao já tradicional Prêmio Braskem Em Cena. A cerimônia de entrega dos prêmios deste ano traz a participação de um dos grandes espetáculos gaúchos na temporada 2009: “Cabarecht”, de Humberto Vieira.
Realizado pela Prefeitura de Porto Alegre, com a parceria das empresas Petrobras, Braskem e NET, que apresentam o festival, mais a Caixa, a Multiplan - BarraShoppingSul, a Cia Zaffari e a Eletrosul, que completam o time de patrocinadores e o Santander patrocinando a exposição, o Em Cena ganhou grandes proporções e muita credibilidade ao longo das dezesseis edições anteriores, tornando-se um dos principais eventos do gênero no Brasil. Projeta-se mundo afora graças à qualidade e à diversidade de sua programação. Japão, França, Lituânia, Portugal, Espanha, Suíça, Alemanha, Itália, Venezuela, Argentina e Uruguai são países que se fazem presente nos palcos gaúchos nesta edição. Amazonas, Ceará, Pernambuco, Tocantins, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná são os estados brasileiros representados com espetáculos este ano.   
Mais uma vez, o Projeto de Descentralização levará espetáculos a todas as regiões periféricas da cidade, como uma iniciativa consolidada na grade do festival, levando arte e cultura para essas comunidades. As atividades formativas também enriquecem e dão organicidade ao festival. São oficinas abertas ao público interessado, gratuitas, com renomados atores, diretores, professores, figurinistas, cenógrafos, iluminadores, enfim, todo o universo de pessoas ligadas às artes cênicas. O Ponto de encontro do festival, nesta edição, prioriza o encontro de artistas potencializando atividades e troca de idéias. O local escolhido para esta agradável atividade foi o recém aberto Café Bertoldo, da Casa de Teatro de Porto Alegre.
Confira a programação da 17º edição!

ESPETÁCULOS INTERNACIONAIS

2x3+1=7 - França
Alkohol, Goran Bregovic - França
Antigonas - Argentina
Cancionero rojo - Argentina
Cuestion de principios - Uruguai
Dr.Jekyll e Mr.Hyde - Espanha
EGO-tik - Espanha
Electra - Uruguai
Final de partida - Venezuela
Happy days - Itália
Lonesome cowboy - Suiça
Los caballos - Uruguai
Los padres terribles - Uruguai
Maria João e Mário Laginha – Portugal
Pedro Abrunhosa & Comitê Caviar- Portugal
Por tu padre - Argentina
Reflejos - Argentina
Reglas, usos y costumbres en la sociedad moderna – Espanha
Sissy! - França
Solo brumas - Argentina
Sonata de otoño – Uruguai
Surdomundo – Argentina / Brasil / Uruguai
Tobari (Sankay Juku) - Japão
Último tango em Berlim (Ute Lemper) - Alemanha
ESPETÁCULOS NACIONAIS
A Inquietude - RJ
A máquina de abraçar - SP
A megera domada - RS
A última miragem - SP
Anatomia frozen - SP
Araras e bananas - RJ
As Troianas – Vozes da Guerra - SP
Ato de comunhão - RJ
Babau ou a vida desembestada do homem que tentou engabelar a morte - PE
Carícias - PE
Carmem de La Zone, a lenda urbana - AM
Corte Seco - RJ
Dona Otília e outras histórias - RJ
Feito para acabar - SP
Hamelin - RJ
Hilda Hilst - O espírito da coisa - SP
In on it - RJ
Kabul - RJ
Na palma dos olhos - TO
Na solidão dos campos de algodão - RJ
Navalha na carne - SP
O ano do pensamento mágico - SP
O cantil - CE
O grande inquisidor - SP
Luiz Tatit – Sem destino
Partimpim dois (Adriana Calcanhotto) - RJ
Psicose 4h48 – PR
Rubros - MG
Torturas de um coração - RJ
Um navio no espaço ou Ana Cristina César - RJ

ESPETÁCULOS LOCAIS

A caravana da ilusão
As bufa
As sete caras da verdade
Cabarecht
*Dentro fora
*Dar carne à memória
*Elefantilt
Herlói, o herói
* Homem que não vive da glória do passado
*Milkshakespeare
*My house
*O Avarento
*O gordo e o magro vão para o céu
*Play Beckett
*Solos trágicos
*Espetáculos que concorrem ao 5º Prêmio Braskem em Cena
EXPOSIÇÃO
ROBERT WILSON
VIDEO PORTRAITS”

Vale lembrar que a venda de ingressos pode ser feita pela internet - através do mesmo site que acabo de citar – a partir do dia 29 de agosto, sendo que os valores dos ingressos são de R$20,00 (inteira), e R$10,00 (meia).

Quer ficar por dentro das datas e horários das apresentações ? Então baixe aqui a grade de programação (em formato de planilha do excel).

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

29ª Bienal de São Paulo: Arte e política

29ª Bienal de São Paulo
25 setembro - 12 dezembro 2010
A 29ª Bienal de São Paulo está ancorada na ideia de que é impossível separar a arte da política. Essa impossibilidade se expressa no fato de que a arte, por meios que lhes são próprios, é capaz de interromper as coordenadas sensoriais com que entendemos e habitamos o mundo, inserindo nele temas e atitudes que ali não cabiam e tornando-o, assim, diferente e mais largo.
A eleição desse princípio organizador do projeto curatorial se justifica por duas principais razões. Em primeiro lugar, por viver-se em um mundo de conflitos diversos, onde paradigmas de sociabilidade são o tempo inteiro questionados, e no qual a arte se afirma como meio privilegiado de apreensão e simultânea reinvenção da realidade. Em segundo lugar, por ter sido tão extenso esse movimento de aproximação entre arte e política nas duas últimas décadas, se faz necessário, novamente, destacar a singularidade da primeira em relação à segunda, por vezes confundidas ao ponto da indistinção.
É nesse sentido que o título dado à exposição, “Há sempre um copo de mar para um homem navegar"verso do poeta Jorge de Lima tomado emprestado de sua obra maior, Invenção de Orfeu (1952) –, sintetiza o que se busca com a próxima edição da Bienal de São Paulo: afirmar que a dimensão utópica da arte está contida nela mesma, e não no que está fora ou além dela. É nesse “copo de mar” – ou nesse infinito próximo que os artistas teimam em produzir – que, de fato, está a potência de seguir adiante, a despeito de tudo o mais; a potência de seguir adiante, como diz o poeta, “mesmo sem naus e sem rumos / mesmo sem vagas e areias”.
Por ser um espaço de reverberação desse compromisso em muitas de suas formas, a mostra vai pôr seus visitantes em contato com maneiras de pensar e habitar o mundo para além dos consensos que o organizam e que o tornam ainda lugar pequeno, onde nem tudo ou todos cabem. Vai pôr seus visitantes em contato com a política da arte.
A 29ª Bienal de São Paulo pretende ser, assim, simultaneamente, uma celebração do fazer artístico e uma afirmação de sua responsabilidade perante a vida; momento de desconcerto dos sentidos e, ao mesmo tempo, de geração de conhecimento que não se encontra em nenhuma outra parte. Pretende, por tudo isso, envolver o público na experiência sensível que a trama das obras expostas promove, e também na capacidade destas de refletir criticamente o mundo em que estão inscritas. Enfim, oferecer exemplos de como a arte tece, entranhada nela mesma, uma política.
Equipe Curatorial
Com curadoria de Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias, a 29ª Bienal de São Paulo conta, ainda, com um grupo de curadores convidados de procedências diversas, os quais contribuem para que o projeto tenha amplitude e densidade compatível com a vocação internacional que a instituição possui desde sua origem, são eles: Fernando Alvim (Angola), Rina Carvajal (Venezuela / Estados Unidos), Yuko Hasegawa (Japão), Sarat Maharaj (África do Sul / Reino Unido) e Chus Martinez (Espanha).
O Lugar e o Tempo da Mostra
A exposição contará com cerca de 160 artistas de diversas partes do mundo, sem tomar a origem territorial como valor de seleção. Nesse sentido, reafirma-se a abolição das chamadas representações nacionais, traço característico da Bienal de São Paulo até poucos anos, mas que não mais traduz a complexa rede de migrações e de trânsitos que marca a vida contemporânea. É importante para a 29ª Bienal de São Paulo, porém, enfatizar o lugar e o tempo a partir dos quais ela é organizada: desde o Brasil e desde um momento de rápida reorganização geopolítica do mundo.
Bienal Estendida
O projeto aqui anunciado não se esgota na apresentação de um conjunto articulado de obras, embora este seja, é evidente, seu núcleo e seu lugar de destaque. Tampouco se comprime apenas nas datas em que a exposição estará aberta. A 29ª Bienal de São Paulo se estenderá a várias outras partes, e começa desde agora. Por meio de seu programa educativo, de atividades discursivas, de residências artísticas e de seu website, ela se afigura como um projeto múltiplo que aposta na arte como forma de conhecer e mudar o mundo de uma maneira única.
Lista Oficial dos Artistas das 29ª Bienal de São Paulo
Calendário
20 de setembro de 2010
9 às 17h - Pré-abertura para imprensa
21 de setembro de 2010
9 às 17h - Imprensa
19h - Pré-abertura para convidados
22 a 24 de setembro de 2010
19h - Abertura para convidados
22 e 23 de setembro de 2010
Manhã e tarde - Professores (Programa Educativo)
25 de setembro de 2010
10h - Abertura ao público

12 de dezembro
de 2010
Encerramento
Horários de funcionamento
De 2ª a 4ª feira: das 9 às 19h.
5ª e 6ª feira: das 9 às 22h.
Sábado e domingo: das 9 às 19h.
Entrada gratuíta
Patrocínio:
contrapartidas_29_pt
Fonte: http://www.fbsp.org.br/29_bienal-pt.html Visitado em 9 de agosto de 2010.

domingo, 8 de agosto de 2010

Teatro pos dramatico e política

Aqui Lehmann trata do aspecto político do teatro pós-dramático.O texto vale ser lido não só por quem se interessa por política e ou teatro, mas também por aqueles que estudam seu predecessor,por comparação chamado de teatro "dramático".O autor remete a Artaud e Brecht para buscar nestes pontos de contato e influência no teatro contemporâneo.Decidi postar pela atualidade do tema,que torna-se ainda mais interessante nesses dias de eleições iminentes.

Fonte: LEHMANN,Hans-Thies.Teatro pós-dramático e Teatro político.in Revista Sala Preta, nº3,2003.São Paulo:USP,2003. Disponível em http://www.eca.usp.br/salapreta/PDF03/SP03_01.pdf visitado em 8 de agosto de 2010.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Politicamente incorreto:

*Infelizmente não achei nenhum trailer em português.
Políticos sempre figuraram como personagens centrais em célebres comédias.Poderíamos falar de Chaplin, que em pleno 1939 teve a coragem de satirizar Hitler em “O Grande Ditador”, ou então de “O inspetor geral”, magnífica comédia de Gogol cuja encenação de Meyerhold ainda é fonte de estudos contemporâneos.Mas hoje eu quero falar de um filme.
Trata-se de “Politicamente incorreto”.O roteiro – que foi na época indicado ao Oscar – conta a história do senador Jhon Bullworth (Warren Beaty), que em face de diversos problemas pessoais inter-relacionados, que vão do descrédito do eleitorado à crise no casamento, decide se matar.Mas ele o faz de uma maneira bem peculiar: assina uma milionária apólice de seguro de vida e determina como beneficiário o assassino de aluguel que contrata para fazer o serviço.
Com os dias contados, Bulworth decide escancarar todos os podres do sistema político: não obedece a discursos previamente elaborados por seus acessores, recusa em seus pronunciamentos a linguagem formal, se envolve com uma garota negra bem mais jovem (Keith Baly), não dá a mínima para a emprensa, enfim: torna-se politicamente incorreto de todas as formas possíveis.
O problema é que a atitude de Bulworth parece ter surpreendido o eleitorado e o senador de repente sobe nas pesquisas.O povo parece responder de maneira positiva à nova imagem do candidato.Agora é que são elas.Cancelar o negócio antes firmado com o assassino contratado ? Esqueçam essa hipótese, ela se mostra impossível.Claro que eu não revelarei aqui o fim da trama pra não estragar a surpresa.
O roteiro é realmente muito bom.Warren Beaty – que vocês talvez conheçam melhor como o Dicky Tracy do filme baseado nos quadrinhos – não só atuou como também produziu, roteirizou e dirigiu a obra, o que lhe vale mais pontos positivos em minha avaliação.Trata-se, não obstante, de uma comédia que pode bem ser assistida em família num domingo a tarde com muita pipoca, ou seja, se você é daqueles que ficam com um pé atrás só porque um dado filme é referenciado como “cult”, pode assistir a esse sem medo.
Sob o ponto de vista fotográfico, bem como sob aquele da dramaturgia visual em si, nada de impressionante, mas tudo de coerente, já que a organização do discurso visual entra em concordância com o todo, é um filme bem “sessão da tarde” eu diria.
Vale a pena assisti-lo sobretudo nos dias atuais quando estamos às voltas de mais uma eleição.Sugestão conclusiva: assistam a esse filme antes do dia primeiro de outubro.No mínimo ele convida à reflexão.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Entrevista com Antunes Filho

Entrevista concedida por Antunes Filho a Luiz Fernando Ramos para Revista Sala Preta, nº6,2006.Como disponível em http://www.eca.usp.br/salapreta/PDF06/SP06_012.pdf visitado em 2 de agosto de 2010.

domingo, 1 de agosto de 2010

Baudrillard: o fim do social ?

“Tal é a massa, um conjunto no vácuo de partículas individuais, de resíduos do social e de impulsos indiretos: opaca nebulosa cuja densidade crescente absorve todas as energias e os feixes luminosos circundantes, para finalmente desabar sob seu próprio peso”
“Exatamente o inverso, portanto, de uma acepção “sociológica”. A sociologia só pode descrever a expansão do social e suas peripécias. Ela vive apenas da hipótese positiva e definitiva do social. A assimilação, a implosão do social lhe escapam. A hipótese da morte do social é também a da sua própria morte”.
“A massa é sem atributo, sem predicado, sem qualidade, sem referência. Aí está sua definição, ou sua indefinição radical”.
“Massa sem palavra que existe para todos os porta-vozes sem história. Admirável conjunção dos que nada têm a dizer e das massas que não falam. Nada que contém todos os discursos. Nada de histeria nem de fascismo potencial, mas simulação por precipitação de todos os referenciais”.
“Caixa preta de todos os referenciais, de todos os sentidos que não admitiu, da história impossível, dos sistemas de representação inencontráveis, a massa é o que resta quando se esqueceu tudo do social” (grifo meu).
“As massas são o “espelho do social”? Não, elas não refletem o social, nem se refletem no social - é o espelho do social que nelas se despedaça”.

Citações extraídas de BAUDRILLARD,Jean.À sombra das maiorias silenciosas: o fim do social e o surgimento das massas.São Paulo:Brasiliense,1985.Trad.Suely Bastos.
Decidi postar estas frases com o objetivo de semear a reflexão.A perspectiva baudrillardiana não me parece muito otimista – ou seria uma visão, antes, realista ? Ocorre-me uma questão: é grande o número de pessoas que se interessem pelo tipo de leitura que aqui sugiro ?
*O vídeo bem serve como uma pequena introdução ao pensamento baudrillardiano.A princípio eu tinha titulado o presente post como "Baudrillard: a morte do social? ".A alteração para a palavra fim dá-se em nome de uma relação mais precisa com o título do livro citado, o que, acredito, consoa melhor com a ideia do autor.Baudrillard não declara o fim do "social", antes, sugere que este nunca existiu de fato: não passa de uma fantasia da política e da sociologia, que empenham-se na tentativa de encontrar uma definição para o que, na Baudrillard é indefinível e indiferente às tentativas de conceituação.A massa não é nem sujeito nem objeto, foge a qualquer significado.
É importante frisar: coloco-me, no parágrafo acima, como um intérprete não-acadêmico da obra, já que minha formação acadêmica - ainda em andamento - remonta à àrea das artes.Não obstante, não considero isso um entrave e espero que você, acadêmico ou não, também se interesse pela bibliografia aqui sugerida.



O que estás a ler meu caro Hamlet ?
Palavras, palavras, palavras, palavras …