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domingo, 1 de agosto de 2010

Baudrillard: o fim do social ?

“Tal é a massa, um conjunto no vácuo de partículas individuais, de resíduos do social e de impulsos indiretos: opaca nebulosa cuja densidade crescente absorve todas as energias e os feixes luminosos circundantes, para finalmente desabar sob seu próprio peso”
“Exatamente o inverso, portanto, de uma acepção “sociológica”. A sociologia só pode descrever a expansão do social e suas peripécias. Ela vive apenas da hipótese positiva e definitiva do social. A assimilação, a implosão do social lhe escapam. A hipótese da morte do social é também a da sua própria morte”.
“A massa é sem atributo, sem predicado, sem qualidade, sem referência. Aí está sua definição, ou sua indefinição radical”.
“Massa sem palavra que existe para todos os porta-vozes sem história. Admirável conjunção dos que nada têm a dizer e das massas que não falam. Nada que contém todos os discursos. Nada de histeria nem de fascismo potencial, mas simulação por precipitação de todos os referenciais”.
“Caixa preta de todos os referenciais, de todos os sentidos que não admitiu, da história impossível, dos sistemas de representação inencontráveis, a massa é o que resta quando se esqueceu tudo do social” (grifo meu).
“As massas são o “espelho do social”? Não, elas não refletem o social, nem se refletem no social - é o espelho do social que nelas se despedaça”.

Citações extraídas de BAUDRILLARD,Jean.À sombra das maiorias silenciosas: o fim do social e o surgimento das massas.São Paulo:Brasiliense,1985.Trad.Suely Bastos.
Decidi postar estas frases com o objetivo de semear a reflexão.A perspectiva baudrillardiana não me parece muito otimista – ou seria uma visão, antes, realista ? Ocorre-me uma questão: é grande o número de pessoas que se interessem pelo tipo de leitura que aqui sugiro ?
*O vídeo bem serve como uma pequena introdução ao pensamento baudrillardiano.A princípio eu tinha titulado o presente post como "Baudrillard: a morte do social? ".A alteração para a palavra fim dá-se em nome de uma relação mais precisa com o título do livro citado, o que, acredito, consoa melhor com a ideia do autor.Baudrillard não declara o fim do "social", antes, sugere que este nunca existiu de fato: não passa de uma fantasia da política e da sociologia, que empenham-se na tentativa de encontrar uma definição para o que, na Baudrillard é indefinível e indiferente às tentativas de conceituação.A massa não é nem sujeito nem objeto, foge a qualquer significado.
É importante frisar: coloco-me, no parágrafo acima, como um intérprete não-acadêmico da obra, já que minha formação acadêmica - ainda em andamento - remonta à àrea das artes.Não obstante, não considero isso um entrave e espero que você, acadêmico ou não, também se interesse pela bibliografia aqui sugerida.



O que estás a ler meu caro Hamlet ?
Palavras, palavras, palavras, palavras …

domingo, 7 de março de 2010

Um convite à leitura

Fechar-se em um determinado tipo de leitura é postura muito comum.Alguns não dispensam um bom romance, outros, não largam daquele filósofo favorito, e outros, ainda - creio eu, a maioria -, preferem assistir tv ou passear pelo youtube."Pra que prender os olhos às páginas se o espetáculo na tela mais me atrai ?"- perguntam-se.

Respeito essa atitude.Eu mesmo sou um curioso navegador do universo virtual.Agora mesmo, lendo essas palavras, você está provavelmente sentado na frente de uma tela de computador e pode informar-se do conteúdo deste texto que com tanto carinho redigi para meus leitores.Viva a internet ! Ela está ai para ser usada, para que nos aproveitemos dela mesmo, divulguemos nossas ideias, ela é afirmação da "condição pós-moderna", e de pouco adiantaria tecer críticas irredutíveis sobre a chamada "condição pós-moderna" sem considerar seus imponderáveis benefícios dentre os quais a internet é talvez o mais evidente.

A internet é uma ferramenta, um meio, a maneira com a qual a usamos é outra história: ai é que está o grande questão.

Deixando tal questão no âmbito das inquietações que futuramente poderão manifestar-se em textos confeccionados para esse blog, parto enfim para a afirmação de seu objetivo: venho convidá-los a conhecer um livro.

Ah... Chato ? Alguns poderiam dizer que sim.Mas o que é um livro senão um convite ? Só venho com este chamar sua atenção para a existência desse convite que eu aceitei e tanto me aprouve.Se ele lhe será instigante ou não é coisa que só descobrirá se, como eu, abrirem esse convite e navegarem por suas páginas.

Falo de "A condição pós-moderna".A obra é de autoria do filósofo francês Jean Françoise que traça as características gerais daquela que configura-se como condição pós-moderna: condição, e não época. Como escreve o filósofo Paulo Ghiraldelli Jr., sobre esse assunto:

"Há a "condição pós-moderna", não a "época pós-moderna", em um sentido mais rigoroso.É claro que nem todos podem se reconhecer sob a condição pós-moderna".

Aliás foi por percebê-lo que o pessoal da editora José Olympio mudou o nome do livro.Nas primeiras quatro edições o título aparece como "O pós-moderno", tendo sido então alterado para "A condição pós-moderna".

E você ? Até onde a pós-modernidade evidencia-se em seu pensar, em seu agir, no mundo que o contém e na maneira com a qual nele se encontra ?

Tudo bem.Se tudo o que acima escrevi ainda continuar um pouco confuso o melhor é correr pra livraria, biblioteca, sebo, ou mesmo conseguir uma versão do livro em PDF e lê-la.

Fica a dica:

LYOTARD,Jean-Françoise.A condição pós-moderna.Rio de Janeiro:José Olympio Editora,2004.Trad.Ricardo Corrêa Barbosa.

Ah, nem vem me dizer que você não tem tempo.O livro é pequeno e a linguagem bem objetiva.No mais, não escravize-se à uma leitura.Saboreie as palavras.O conteúdo emocional no ato de ler é ingrediente fundamental na absorção do escrito.

Até a próxima !