quarta-feira, 30 de junho de 2010

Grotowski: Teatro Laboratório: Apocalypsis cum Figuris

 

 

Recentemente postei em meu canal no youtube (www.youtube.com/jefersontorres) o vídeo que registra uma das últimas apresentações de Apocalypsis cum figuris, direção de Jerzy Grotowski encenada pelo Teatro Laboratório.Segue a descrição do vídeo em português e inglês como disponível no youtube:

Primeira parte de Apocalypsis cum figuris, montagem do Teatro laboratório
(Teatr laboratorium) sob direção de Jerzy Grotowski e co-direção de Rizard Cieslak.A direção literária ficou por conta de Ludwik Flaszen.Figurinos: Waldemar Krygier

Elenco:

Antoni Jaholkowski (Simão Pedro), Zygmunt Molik (Judas), Zbigniew Cynkutis (Lázaro),Maja Komorowska e Rena Mireka (Marias Madalenas),Stanislaw Scierski (João) e Ryzard Cieslak (o Escuro)

A montagem fez uso de citações bíblicas além de extratos de textos de Feodor Dostoiévski, Thomas S. Eliot e Simone Weil.Trata-se da última peça dirigida por Grotowski, que, depois desta, continuará sua biografia
artístico-pedagógica longe dos palcos até sua morte em 1999.

Visite: www.artistaemconstrucao.blogspot.com

English:

First part of the video register of Apocalypsis cum figuris - theater piece played by the Theatre Laboratory (Teatr Laboratorium) - directed by Jerzy Grotowski and co-directed by Rizard Cieslak.The literary director was Ludwik Flaszen.Costume design:Waldemar Krygier

Cast:

Antoni Jaholkowski (Simon Peter), Zygmunt Molik (Judas), Zbigniew Cynkutis (Lazaro), Maja Komorowska e Rena Mireka (Marias Madalenas),Stanislaw Scierski (John) and Ryzard Cieslak as the Dark.

The play uses bliblical quotations mixed with texts by Feodor Dostoiévski,
Thomas S. Eliot and Simone Weil.It was the last play directed by Grotowski, who, after this, continued his artistic-pedagogical biography out of stage until his death in 1999.

visit: www.artistaemconstrucao.blogspot.com (site in portuguese)
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sábado, 26 de junho de 2010

Brecht e David Bowie

 

Mais uma vez eu trago a vocês um vídeo em inglês.O que fazer se tudo, ou melhor, quase tudo o que me causa mais interesse se encontra em línguas estrangeiras ? O jeito é estudar outros idiomas, ou então se aproveitar dos vídeos pelas imagens e pelos sons verbais transformados pela ignorância de seus significados em “blablações”, o que não deixa de ser também interessante.

Dessa vez eu lhes indico esse documentário dividido em três partes que trata da trajetória artística de Brecht e traz, dentre outros, depoimentos de Helene Weigel, atriz que esteve ao lado do alemão em diversas de suas empreitadas artísticas – e não só artísticas.Ainda aborda seu exílio nos EUA e a fundação do Berliner Ensemble.Enfim: vale a pena assistir.

Talvez valha também assistir, depois, como uma espécie de posfácio, a essa versão de Baal, texto de Brecht montado  numa versão televisiva pela BBC de Londres na qual David Bowie – é isso mesmo, vocês não leram errado – representa o protagonista da trama.Ah, sim, em inglês também …

sexta-feira, 25 de junho de 2010

R.E.M

 

REM
Cartaz desenvolvido pela artista londrinense Ana Lucca.

Luiz Valcazaras visita Strinberg em R.E.M. (Rapid Eye Moviment), montagem teatral dirigida por aquele que já trabalhou algumas vezes aqui em Londrina com o grupo Boca de Baco.Recentemente publiquei no blog uma chamada para o espetáculo “Navalha na carne”, texto de Plínio Marcos que serviu de base para a montagem que celebrou os vinte anos do grupo artístico londrinense e foi posta ao palco sob direção de Valcazaras.

Mantendo a versatilidade que lhe é característica, Luiz passa de Plínio para Strinberg, construindo um sonho plasmado na matéria cênica que transcorre pelo tempo do texto espetacular.

Fica o convite ao sonho teatral:

R.E.M., baseada na peça “O sonho”, de August Strinberg.
No espaço dos Satyros II: Praça Franklin Roosevelt, 134
Sábados e domingos às 18:30h ( a partir de 26/6/2010)

Palavras sobre o indizível:

 

A fim de simplificar as coisas, partimos para raciocínios dialéticos: fazemos uma distinção entre duas forças distintas e, através da oposição entre essas potências, chegamos a uma terceira, que pode ser compreendida como síntese da relação entre energias antitéticas.Poderíamos falar, deste modo, na constante luta entre Deus e o diabo, entre o proletariado e a burguesia, entre o certo e o errado, entre o velho e o novo, entre a verdade e a mentira, entre o bem e o mal …

Penso que a tentação à dialética pode limitar em certo sentido a compreensão das coisas.Talvez o uso da palavra possa,ele também, constituir uma limitação, principalmente quando se refere a temas como os sentimentos.

 

 

O neurobiologista português radicado nos Estados Unidos, António Damásio, distingue em uma de suas obras literárias emoções e sentimentos, definindo as primeiras como “ações ou movimentos, muitos deles públicos, que ocorrem no rosto, na voz ou em comportamentos específicos”, enquanto os sentimentos, “pelo contrário, são necessariamente invisíveis para o público”, são “a propriedade mais privada do organismo em cujo cérebro ocorrem”.

 

É com base em minhas experiências pessoais em diálogo com pressupostos teóricos estrangeiros que venho buscando na neurobiologia, bem como no campo da filosofia, que defendo a ideia de que a isso que alguns preferem se referir com o nome de “Deus”, reside no indizível.Mas é uma tendência humana natural a recorrência a palavra: tornar o incompreensível, de alguma forma, compreensível, e não só isso, dizível.Mas a “isso” eu prefiro reservar-me o direito de manter o silêncio.Como já afirmei em outro post, vislumbro na natural tendência humana à representação um dos fatores de reforço à utilização de Deus – percebam, reduzido a condição de substantivo singular no gênero masculino e em grau singular – como artíficio a favor da nossa própria limitação.Mas é possível fugir dessa perspectiva ?

É o que busco ao manter o indizível no lugar que lhe julgo devido, no âmbito do indizível, irrepresentável, inalcançável, inexpressável.

Bibliografia recomendada:

*As citações às quais faço referência no presente post estão presentes em Damásio (2004), mas aconselho decididamente a leitura dos três livros que constituem a presente bibliografia:

1. DAMÁSIO,Antônio.O mistério da inconsciencia: do corpo e das emoções ao conhecimento de si.São Paulo:Cia das letras,2000.Trad.Laura Teixeira Motta.

2. DAMÁSIO,António R.O erro de Descartes:emoção,razão e o cérebro humano.São Paulo:Companhía das letras,2000.Trad.Dora Vicente e Georgina Segurado.

3. DAMÁSIO,António.Em busca de Espinosa:dor e prazer na ciência dos sentimentos.São Paulo: Companhia das letras, 2004

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Flash and Crash Days


Um tragicomédia multimidiático.Pudesse traduzir “Flash and crash days”, peça dirigida por Gerald Thomas entre 1992 e 1994, com poucas palavras, talvez seriam estas aquelas que constituem a primeira frase do presente post.
Um trabalho em família: a montagem, importante ponto na história recente do teatro brasileiro, trouxe ao palco as duas fernandas, a Montenegro e a Torres, que então eram respectivamente sogra e esposa de Gerald.Um work in process,  como característico de uma boa parte das experiências teatrais contemporâneas: Montenegro, lembrando dos “flash and crash days”, afirmou que durante o tempo que se mantiveram em cartaz ensaiavam oito horas por dia, de segunda a sexta, e o espetáculo continuou em constante construção.
É uma pena eu não ter podido assistir a esse espetáculo ao vivo.Resta se contentar com o que o vídeo pode proporcionar.Pena também é não ter encontrado o trecho da peça no qual Fernanda Montenegro representa sua morte e outras mais que gostaria de re-assistir e aqui postar.

Bergman e Grotowski: algo em comum

 

Eugenio Barba remete-se à Ingmar Bergman em suas lembranças pessoais quando afirma ter cogitado a possibilidade do encontro entre o cineasta e Grotowski em 1968, mas Bergman respondeu com uma carta gentil e breve na qual dizia estar ocupado.Depois Barba veio a saber que Bergman não nutria estima pelo diretor polonês.

Não obstante, é interessante notar que, na entrevista acima postada, Bergman afirma a importância de uma postura aberta junto ao grupo de trabalho articulada à sua autonomia enquanto diretor, princípio que podemos vislumbrar no pensamento grotowskiano.

Grotowski disse certa vez que "o diretor, enquanto orienta a inspiração do ator, deve ao mesmo tempo permitir ser orientado por ele", e ainda afirmou se interessar pelo ator "porque ele é um ser humano", e que, portanto, tomava o trabalho teatral como uma espécie de tentativa de "entender a nós mesmos através de outro homem, de encontrar-se nele".Bergman, na segunda parte da entrevista acima esposta - vide a segunda parte no youtube - também confessou seu interesse no comportamento humano.

Grotowski e Bergman.Duas personalidades tão singulares, e, quem diria, com algo em comum...

Ah, a entrevista está em inglês.Fica a dica pra quem compreende bem a língua inglesa.Aos demais, espero que este curto texto tenha servido de alimento às dúvidas motoras de nosso trabalho-em-vida.

Referências bibliográficas:

1. GROTOWSKI,Jerzy.Em busca de um teatro pobre.Rio de Janeiro:Civilização Brasileira,1976.Trad.Aldomar Conrado.

2. BARBA,Eugenio.A terra de cinzas e diamantes: minha aprendizagem na Polônia.São Paulo:Perspectiva,2006.Trad.Patrícia Furtado de Mendonça.