"(...) a arte oferece satisfações substitutivas para as mais antigas renúncias culturais, ainda sentidas da forma mais aguda, e tem, por isso, um incomparável efeito reconciliador com os sacrifícios oferecidos a essas renúncias".
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Freuda-se:
sábado, 15 de outubro de 2011
Sobre o ato de escrever:
Escrever como uma forma de oração. Transpor à letra o ímpeto que jaz latente na alma ardente. Pensamentos que vão e voltam, transformados em signos que colorem a tela branca de faíscas de dúvida. Escrita-ação – Luckács entrega sua caneta ao soldado que lhe acompanha até a prisão: a escrita é uma arma por vezes mortal – e àqueles que desgostam da escola de Frankfurt, cabe também escrever: os jornais: um palco de guerra.
Escrita-vida: traçar caminhos entre os vãos do tempo, correr riscos, saber-se finito: o fim da linha é logo ali. Autobiografar-se, sublinhar-se, e, por fim, apagar-se – restam riscos a serem cogitados pela intuição alheia: rascunho. O tempo-linha, a ação-grafia, o resto, silêncio.
sábado, 10 de setembro de 2011
Doze responsáveis e um réu:
Uma obra prima da sétima arte. Os quadros que constituem Doze homens e uma sentença (Twelve angry men), de 1957, nos revelam as faces dos doze integrantes de um juri que deve decidir o destino de um suposto assassino. O filme começa quando o juíz dá ordem para que o grupo se reuna na sala destinada às reuniões do juri a fim de tratarem do caso em questão. Como imagem que se sustenta pela passagem dos fotogramas que nos levam à sala de reunião do júri, o rosto daquele que talvez morrerá na cadeira elétrica.
O veredito parece certo: o réu é evidentemente culpado. Cabe uma resposta rápida, já que o tempo urge, e cada qual têm sua vida lá fora, entre partidas de beisebol e visitas ao cinema. A vida daquele rapaz que é acusado de ter matado seu pai é, nesse momento, um acaso que impõe a coincidência do encontro entre esses doze. Mas um deles faz-se obstáculo à pressa dos demais, um obstáculo decorrente de uma dúvida razoável, racional, sobre se o garoto é ou não culpado.
No filme apreciarão um show de atuação de todo o elenco, além de muito bem elaborados diálogos que tocam profundamente no universo psicológico de cada participante da assembleia que se reune numa pequena sala. A pequenês do espaço exigiu um jogo de câmeras hábil que Lumet soube dirigir com maestria. Aqui um close, ali, uma geral, mais a frente uma cena no banheiro contínuo que acompanha a sala e serve de à parte para um diálogo mais fechado. A discussão gera uma tensão que se amplifica no minúsculo recinto que guarda os debatedores, por vezes atingindo um nível de pressão tal que ensaia explosão. A chuva lá fora, de fato - àgua que do céu precipita - transforma-se em símbolo, a noite traz a luz, e o final da película envolve-nos naquilo que a trama desenvolveu.
A música, por sua vez, não é senhora nem vassala do todo, faz-se notar como instrumento à favor da peça, e não vedete que ocupa espaços indevidos. Trata-se de um filme que nos prende do começo ao fim, modelo de filme de baixo custo, que tem no elenco afinado, e numa direção inteligente, inestimável riqueza que a obra prima encerra. Nada que fuja à regra, dado que este é um filme do mestre Sidney Lumet. Nesse caso, poderíamos afirmar, citando outros títulos do mesmo diretor, que cada um daqueles homens teve seu dia de cão, numa rede de intrigas que os armadilhou em suas próprias dúvidas, em busca dos fatos, e da verdade por trás dos fatos. Vale a pena assistir.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Lobão e Beethoven in concert:
Percebam que a célula rítmica que introduz a canção lobaniana acima citada é citação daquela que dá início à 5ª sinfonia de Beethoven, 1º movimento, allegro con brio …
Por certo o arranjador se aproveitou do tema, em seu aspecto rítmico, como inteligente comentário na peça rock de Lobão. De qualquer forma o paulistano tem um que de romântico, ou o contrário, pois o compositor alemão equilibra-se entre o romantismo do XIX e o classicismo. Tanto quanto apaixonado, excêntrico. Aguém bate a minha porta, preciso interromper esse post. Não são 4 horas, mas, de qualquer forma, a vida é doce … depressa demais.
Identidades fluidas: o homo-sapiens conexus
Em casa, nas lan houses espalhadas pelo mundo, através do celular, pelo pager, onde quer que seja, estamos, enfim, conectados. O judeu, o cristão, o ateu, o mulçumano, o budista: aquele, aquela, o outro, em certa medida, num âmbito estranho, faz-se eu. Agora a dança da menina ousada que insinua-se na cam, depois, um vídeo sobre a crise no oriente médio: tudo que é medo, tesão, ficção, vira mídia. O homo-sapiens conexus, novo Adão perdido em terras globais, saboreia novos frutos a cada agora, e o antes eterno, vira efêmero, liquefaz-se no vão instante de cada momento.
O conceito de cultura, pedra basilar da antropologia, já foi determinada pela geografia quando os deuses europeus se aventuraram por terras negras em busca de riquezas várias. Tão distintos eram aqueles selvagens, nossos admiráveis selvagens, nós, tão encantados por pronomes possessivos. Uma cultura menos desenvolvida, sim, mas nada que uma boa doutrinação não resolvesse. Ou será que essa atmosfera primitiva não constituiria o homem como tal, como é, animal? Etnografias depois, muito sangue derramado, tratados, tratados e mais tratados, letras mil em livros na estante. Margaret Mead, Malinowski, Clifford Geertz, e etc, muitos etceteras mais.
Não obstante, ao que pese toda a alta cultura semeada, ainda nos sabemos etnocêntricos, ainda que não nos confessemos, e a vaidade fala mais alto. O judeu é o cão, diz o pseudo-cristão, o mulçumano, terrorista, o ateu é um à-toa, alienado, o budista, um zen sem inteligência prática, o pobre é tolo cativo, o rico é corrupto, o padre, hipócrita pedófilo, o preto é ladrão, o branco é racista, o gay, pedófilo, promíscuo, e todos são, porque distintos, equivocados.
Enquanto isso os menos pragmáticos ainda buscam respostas nos livros, e por mais que a prateleira pese ensaiando ceder e as traças corroam os papeis - prefaciando a decomposição dos corpos - a busca por uma Verdade parece insurgir contra a pós-moderna relatividade. Ocorre que, no campo de balha intersubjetivo, a opinião acaba por ganhar - porque reflexo do eu - o status de verdade, já que o egoísmo vira a Verdade. Aqui, mais uma ideia à venda, ali, um novo conceito filosófico, no outro canto um menino morre de inanição, e enquanto alguém, no escuro de seu quarto, assiste a cena comovente, o outro se masturba escondido do outro lado da tela. No dia seguinte ambos se encontram, e um continua a ser o inferno do outro. Cada um tem sua opinião, e respeita aquela alheia, mas raras vezes sem o otimismo de quem sabe que o outro evoluirá, será enfim diferente. Se ateu, tornar-se-á cristão, no mínimo budista, se cristão, um ateu convicto e feliz.
O culturalista jamaicano Stuart Hall tem razão. A identidade cultural na pós-modernidade já não mais se determina geograficamente. Mas também é perigoso fazer da religião, da cor ou da orientação sexual o rótulo inequívoco, preciso, que determine o outro de antemão. Somos sempre atravessados por redes invisíveis, virtuais, pixels de informação que, não obstante iluminem, nem sempre espantam a sombra. Esperemos por um mundo mais igual, deveras, mais igual pelas diferenças. Talvez a grande questão é saber o que nos faz tão iguais, nós que somos assim, tão diferentes.
Jeferson Torres
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Pela liberdade na internet:
Proteste já contra o policiamento diurno de sua navegação internética! : acesse: http://www.avaaz.org/po/save_brazils_internet/?cl=1199863114&v=9819
Caros amigos de todo o Brasil,
Na semana que vem, o Congresso poderá votar um projeto de lei que representa um golpe contra a liberdade da internet dos brasileiros. A pressão da opinião pública barrou o projeto de lei em 2009 e nós podemos fazer isso de novo. Vamos usar a web para derrotar esse projeto de lei!Envie agora mesmo uma mensagem aos parlamentares sobre o assunto:
Na semana que vem, o Congresso poderá votar um projeto de lei que restringiria radicalmente a liberdade da internet no Brasil, criminalizando atividades on-line cotidianas tais como compartilhar músicas e restringir práticas essenciais para blogs.Temos apenas seis dias para barrar a votação.
A pressão da opinião pública derrotou um ataque contra a liberdade da internet em 2009 e nós podemos fazer isso de novo! O projeto de lei tramita neste momento em três comissões da Câmara dos Deputados e esses políticos estão observando atentamente a reação da opinião pública nos dias que antecedem à grande votação. Agora é nossa chance de lançar um protesto nacional e forçá-los a proteger as liberdades da internet.
O Brasil tem mais de 75 milhões de internautas e se nos unirmos nossas vozes poderão ser ensurdecedoras. Envie uma mensagem agora mesmo às lideranças das comissões de Constituição e Justiça, Ciência e Tecnologia e Segurança Pública e depois divulgue a campanha entre seus amigos e familiares em todo o Brasil:
http://www.avaaz.org/po/save_brazils_internet/?vl
O projeto de lei do deputado Azeredo sobre a internet supostamente teria o objetivo de nos proteger contra fraudadores e hackers. Porém, como alguém que faz uma cirurgia com uma motosserra, as normas excessivamente cautelosas impostas pelo projeto de lei trariam altíssimos custos sem de fato cumprir seu objetivo. Em vez de capturar os verdadeiros criminosos, elas penalizariam todos nós. Por esse motivo, até mesmo o importante site anti-pedofilia, o SaferNet é contra o PL Azeredo.
Se esse projeto de lei for aprovado, nossa privacidade e liberdade de expressão, criação e acesso on-line ficarão gravemente limitadas. Pior que isso, os provedores de internet que mantêm informações detalhadas sobre nosso histórico de navegação na internet passarão a ser“policiais virtuais” monitorando os usuários a todo momento.
O projeto de lei tem circulado em Brasília por mais de uma década, e a pressão da opinião pública já o derrotou antes. Em 2009, uma consulta pública sobre o “Marco Civil da Internet” barrou o andamento do projeto. Mas alguns meses atrás, o deputado Azeredo tentou apressar a aprovação no Congresso, usando os ataques de crackers aos sites do governo como desculpa. Um novo Congresso e uma maior conscientização sobre as amplas implicações do projeto de lei significam que nossas vozes poderão fazer a diferença. Envie agora mesmo uma mensagem às lideranças na Câmara:
http://www.avaaz.org/po/save_brazils_internet/?vl
Infelizmente, o PL Azeredo não é a única lei desse tipo. Em todo o mundo, na Índia, Turquia, Estados Unidos e outros países, a liberdade da internet está sob ataque promovido por iniciativas similares. Mas os membros da Avaaz nesses países estão se mobilizando. Vamos fazer a nossa parte neste movimento popular global em defesa da web barrando o PL Azeredo.
Com esperança,
Emma, David, Ricken, Maria Paz, Giulia, Rewan e a equipe da Avaaz
FONTES:
Petição do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, instituição parceira da Avaaz:
http://www.idec.org.br/campanhas/facadiferenca.aspx?idc=24
Liberdade de internautas no Brasil pode estar com os dias contados (Portal Imprensa):
http://portalimprensa.uol.com.br/noticias/brasil/43707/liberdade+de+internautas+no+brasil+pode+estar+com+os+dias+contados/
Entenda o que é o marco civil da internet (UOL):
http://tecnologia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2010/06/09/entenda-o-que-e-o-marco-civil-da-internet.jhtm
'AI-5 digital' volta a circular no Congresso (Rede Brasil Atual):
http://www.redebrasilatual.com.br/temas/tecnologia/2011/06/ai-5-digital-volta-a-circular-pelo-congresso
A liberdade dos internautas brasileiros pode sofrer um duro golpe. O deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG) quer inibir diversas ações online, como o compartilhamento de conteúdos, a transferência de músicas já compradas de um CD para um computador ou outros dispositivos eletrônicos e o desbloqueio de aparelhos celulares. É o que alerta o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) ao Projeto de Lei 84/99. A iniciativa apresenta, também, punições para crimes digitais. As informações são do portal Knight Center for Journalism in the Americas.
Segundo a Folha de S. Paulo, cita o portal, usuários da internet classificaram o PL como um "AI-5 digital", ou seja, uma forma de privação à liberdade e ao direito de se usar a rede internacional de computadores. Para mostrar sua rejeição, o Idec lançou a campanha "Consumidores contra o PL Azeredo". Além dela, a campanha "Mega Não" também combate a aprovação do projeto. Na última quinta-feira (28), o deputado Emiliano José (PT-BA) entregou ao presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), petição contrária à proposta com 163 mil assinaturas, de acordo com o Observatório do Direito à Comunicação.
Entre os problemas apontados no PL, conforme o Idec, estão o período em que os provedores de internet precisam guardar os registros dos usuários, estipulado em três anos, e a previsão de penas excessivamente duras para delitos simples, assim como a criação de tipos penais considerados amplos.
Fonte: http://portalimprensa.uol.com.br/noticias/brasil/43707/liberdade+de+internautas+no+brasil+pode+estar+com+os+dias+contados/ Visitado em 4 de agosto de 2011
'AI-5 digital' volta a circular no Congresso
Abandonado desde 2009, projeto polêmico é resgatado pelo agora deputado Eduardo Azeredo
Por: Raoni Scandiuzzi, Rede Brasil Atual
Publicado em 28/06/2011, 18:50
Última atualização em 29/06/2011, 14:22
Eduardo Azeredo, deputado do PSDB, que pretende votar seu projeto sobre vigilância na internet (Foto: ABr/Arquivo)
São Paulo – Em tramitação há três anos no Congresso Nacional, o substitutivo de projetos de lei de Eduardo Azeredo (PSDB-MG) que visam a combater crimes cometidos na internet foi retomado. O substitutivo do PL 84/99 relatado pelo mineiro quando senador foi reencaminhado à Câmara, onde tem, como relator, o próprio Azeredo, que atualmente cumpre mandato como deputado. O texto está na pauta de votação da Comissão de Ciência e Tecnologia da Casa para esta quarta-feira (29).
O projeto foi apelidado de "AI-5 Digital" por críticos das medidas, defensores de liberdade na rede, incluindo o direito de compartilhar arquivos. Depois de ficar parado em virtude de consulta pública para o Marco Civil da Internet, em 2009. A retomada foi justificada pelas ações de crackers contra sites do governo brasileiro na semana passada. Em tom de crítica, o ativista digital João Carlos Caribé levanta até a suspeita de que os ataques tenham sido "fabricados" com a finalidade de trazer de volta o polêmico assunto.
O novo texto de Azeredo traz algumas modificações em relação ao original. Com a atualização, os provedores não precisariam denunciar às autoridades "indícios de práticas de crimes". O ponto era um dos mais polêmicos, por poder provocar um estado de constante vigilantismo na internet. Além dessa alteração, outros termos foram substituídos para evitar novas controvérsias.
Ainda assim, Caribé defende que o projeto “não melhorou a ponto de se tornar aceitável”. O ativista garante que a essência da matéria continua a mesma e aponta aspectos que considera problemáticos e que pouco ajudariam no combate a cibercriminosos. “A questão mais polêmica é a guarda dos logs (os dados de endereçamento eletrônico da origem, hora, data e a referência GMT da conexão) por três anos. Isto é um absurdo, acarreta um custo significativo e serve de alerta para o criminoso se prevenir, dificultando uma eventual investigação”, explica Caribé.
“O projeto de Azeredo já circula há mais de dez anos no Congresso, ele está cercado de polêmicas e tem um estigma tão ruim que muito dificilmente vai conseguir avançar”, prevê o ativista. Para ele, a vontade do deputado tucano é o principal motor para retomar a tentativa de votar a iniciativa. “Ele era senador quando propôs o projeto, não se candidatou para reeleição no Senado, mas foi ser deputado. É ele quem está articulando essa proposta na Câmara”, observa Caribé.
Embate
Como o projeto já passou uma vez pela Câmara e foi votado no Senado, não é passível de sofrer mudanças significativas, pois voltaria à estaca zero. Isso explicaria a opção de Azeredo por apenas suprimir ou alterar alguns pontos. O agora deputado critica o uso da expressão "AI-5 Digital", classificando o apelido como "erro histórico".
Internautas críticos do texto prometem fazer campanhas nas mídias sociais. Usando as expressões "Mega Não" e "AI-5 Digital" como hashtags (expressões precedidas pelo símbolo "#", usadas para delimitar e agrupar mensagens por tema).
Proteste já contra o policiamento diurno de sua navegação internética! : acesse: http://www.avaaz.org/po/save_brazils_internet/?cl=1199863114&v=9819
Qualquer semelhança provavelmente não é mera coincidência:
Proteste já contra o policiamento diurno de sua navegação internética! : acesse: http://www.avaaz.org/po/save_brazils_internet/?cl=1199863114&v=9819
sexta-feira, 22 de julho de 2011
A mística litero-musical de Raul Seixas: Gitâ:
Trata-se de uma obra litero-musical que toma como base uma outra, literária, a saber, Gita, peça clássica do hinduísmo que faz parte de outra obra, maior, a saber: Mahabarata. É uma narrativa mito-poética sobre a guerra humana entre bem e mal como duas faces de uma mesma moeda.É curioso que Seixas e Coelho tenham composto a música em menos de 15 minutos, mas com a base que os sustentava, é de se esperar. As obras de fundo do clip são de Salvador Dali, Rene Magritte e Ierominus Bosch. Foi o 1º disco de ouro de Raul. Obra prima, sem comentários. Digna de menção entre os clássicos dos clássicos da música popular brasileira, e que nos instiga os mais sublimes sentimentos místicos. Deus é o eterno que em tudo se manifesta, é o alfa e o ômega: o início, o fim e o meio.
“Terra, água, fogo, ar, éter, pensamento, intelecto, e consciência pessoal são os oito componentes que integram minha natureza material.
Esta é minha natureza inferior. Conhece agora, oh tu, de braço poderoso, minha outra natureza, a superior, o elemento vital, que mantém o universo. Sabe que esta minha dupla natureza é a fecunda matriz de todos os seres. Sou o princípio do mundo e sou também o seu fim. (…) Eu sou o filho de Kuntî, o sabor da água, a luz do Sol e da Lua, pranava de todos os Vedas, o som do éter e a virilidade dos homens. Sou puro perfume da terra, a luminosidade no fogo, vida em todos os seres e austeridade nos ascetas.
Sabe, filho de Prithâ, que sou o eterno germe de tudo quanto existe, sou a sabedoria dos sábios e o poder dos poderosos. Sou a força do forte isento de apetites paixões; em todas as criaturas, oh príncipe dos Bhâratas, sou o desejo que não contraria a santa lei.
Entende que de Mim procedem as naturezas individuais formadas pelas qualidades satva, rajas e tamas. Eu não estou nelas, mas elas estão em Mim”. (Grifo meu)
Bagavad Gitâ – Canto VII: Yoga do superconhecimento (Vijnâna-Yoga).
“Krishna – encarnação do espírito supremo – Arjuna e os Pândavas – ou São Miguel e seus anjos – representam a humanidade – como conjunto e como indivíduo –, com seus desejos e tendência à perfeição e ao Sagrado; enquanto que, Duryodhana e seus Kurus – Lúcifer e Satanás com seus demônios – são a outra parte do homem, as forças do mal tais como o ódio, a luxúria, o egoísmo… Kurukshetra é a própria natureza de cada homem e da humanidade dividida em dois reinos antagônicos; Cristo e anticristo. (…). A lenda da queda dos anjos se inspirou (imediata ou mediatamente) no Bhagavad-Gitâ, na mitologia babilônica [Ormuzd e Ahriman], na mitologia iraniana …? Tudo é produto de uma mesma mentalidade oriental? A coincidência é manifesta”
QUEVEDO, Oscar-Gonzalez, S.J. (Pe.).Antes que os demônios voltem. São Paulo: Loyola, 1989, p.276-277.
Gitâ: o início, o fim e o meio.
Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro – Ap.22,13




