domingo, 18 de julho de 2010

Folha em branco

 

(...) devem existir atores baixinhos e gordos, altos e magros,os que se mexem rápido, os que se arrastam pesadamente.Que tanto o corpo gordo e molenga quanto o que é jovem e ágil tenham uma sensibilidade igualmente apurada.

(...) nenhuma experiência nova e original é possível se não houver um espaço puro, virgem, pronto para recebê-la.

(…)

Um corpo destreinado é como um instrumento desafinado (...).Quando o instrumento do ator, seu corpo, é afinado pelos exercícios, desaparecem as tensões e os hábitos desnecessários.(...) Até mesmo um ator de larga experiência, sempre que vai retomar seu trabalho, quando se vê na borda do tapete sente esse medo de voltar – medo do vazio dentro de si mesmo e do vazio no espaço.Imediatamente, ele trata de preencher o vazio para livrar-se do medo, tentando achar alguma coisa pra dizer ou fazer.Sentar-se imóvel ou ficar quieto requer muita coragem.(...)Quando atua bem, não é porque elaborou previamente uma composição mental, mas sim porque criou um vazio livre de pânico dentro de si.

 

Vale a pena ler:

BROOK,Peter.A porta aberta:reflexões sobre a interpretação e o teatro.Rio de Janeiro:Civilização Brasileira,2002.3ª edição.Trad.Antônio Mercado.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Um comentário sobre o “pós-dramático”:

 

   Quando nos voltamos ao abrangente conjunto de características do dito teatro pós-dramático, podemos perceber os rastros do passado evidenciando-se em cada "novidade" da última hora.

  O uso do vídeo remonta a experiências que já vinham sendo desenvolvidas por Piscator, que, aliás, exerceu forte influência sobre Brecht.Quanto a dizer que o teatro pós-dramático é novo por seu aspecto "high tech", ora, Deus ex machina: os gregos já utilizavam brinquedinhos bem sofisticados pra época, sua maquinária está para seu tempo como as grandes estruturas espetaculares estão para nossos dias.

   Mesmo a não-submissão ao texto dramático também não é invenção do teatro pós-moderno - título que bem pode servir como sinônimo de pós-dramático - já na commedia dell'arte não era o texto o senhor unânime da representação teatral.Também o teatro oriental não tem o texto dramático como elemento essencial.

    Fica a questão: o teatro pós-dramático é um teatro que quebra com padrões "dramáticos"? Talvez, mas, ainda assim, somente - e tão somente - se reduzirmos o drama ao texto literário, à literatura dramática.É preciso lembrar que a palavra drama vem do grego - sim, eles, os gregos, denovo ! - e significa "ação".

   Fecho com outra pergunta: é o teatro "pós-dramático" um teatro novo ? A opinião deste escritor: tão novo quanto velho: passim, nunca enfim, eterno retorno ...

E por que não dar uma lida em :

LEHMANN,Hans-Thies.O teatro pós-dramático.São Paulo:Cosacnayfy,2007.Trad.Pedro Süssekind

RUDLIN,John.Commedia Dell’Arte:an actor’s handbook.London and New York Taylor & Francis Group.9th editon.Tradução nossa.

BERTHOLD,Margot.História Mundial do Teatro.São Paulo,Perspectiva,2001.Trad. Maria Paula V. Zurawski, J. Guinsburg,Sérgio Coelho e Clóvis Garcia.

sábado, 10 de julho de 2010

As palavras e o tempo

 

Apenas a ação é viva mas só as palavras permanecem.

Eugenio Barba

A história do teatro no nosso século não se limita à história dos espetáculos. Basta apenas confrontar o conteúdo de qualquer livro de história com o que é encontrado nas crônicas da época para verificar como grande parte do iceberg do teatro está sob a historiografia.


Fabrizio Cruciani

 

O papel do historiador é o de tentar plasmar em letra aquilo que, antes, fora ação.Constitui, portanto, uma tarefa em constante construção, na medida em que a palavra, ainda que permanente, possui um que de perecibilidade.Ela esta sujeita em sua aparente imutabilidade à força do tempo, tal qual o concreto, a rocha que transforma-se silenciosamente.

A leitura dos textos diversos que tratam da história do teatro em suas mais distintas perspectivas transparece algo de indizível: aquilo que fora o antes, o tempo que não retorna, mas que afirma-se – passado no presente – através dos rastros daqueles que por aqui caminharam.Podemos assim traçar nosso próprio caminho sem perder de vista o percurso percorrido pelos que aqui já estiveram.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

…eterno retorno ….

 

Teatro pobre: Termo forjado por Grotowski para qualificar seu estilo de encenação baseado numa extrema economia de recursos cênicos (cenários, acessórios, figurinos) e preenchendo esse espaço por uma grande intensidade de atuação e um aprofundamento da relação ator/espectador (…).Essa tendência à pobreza é muito marcada na encenação contemporânea [Peter Brook e o Living Theatre, por exemplo] por razões mais estéticas que econômicas.      (Dicionário de teatro de Patrice Pavis).

Pela eliminação gradual de tudo que se mostrou supérfluo, percebemos que o teatro pode existir sem maquilagem, sem figurino especial e sem cenografia, sem um espaço isolado para a representação (palco), sem efeitos sonoros e luminosos, etc.Só não pode existir sem o relacionamento ator-espectador, de comunhão perceptiva, direta, viva (GROTOWSKI,1976,p.5).

 

 

 

Pesquisando os mais diversos princípios e correntes do realismo, do naturalismo, do futurismo,da estatuária, da arquitetura, da estilização por meio de cortinas, paraventos, telas transparentes e efeitos de luz, chego à conclusão de que nenhum desses meios fornece ao ator o fundo que sua arte reclama (...)Quem manda no palco é o ator (STANISLAVSKI,Minha vida na arte).

 

E, enquanto não é mais professado entre os classicistas que os primeiros teatros eram de fato picadeiros onde os trabalhadores dançavam quando a colheita tinha acabado, foi justamente esta esquecida característica que atraiu Copeau tanto para o palco grego quanto para a arena circence; nestes similares espaços abertos a imaginação está apta a surpreender-se livremente, e a decoração não é a questão principal.Nestes espaços tudo se torna responsabilidade do ator (…)As mais citadas palavras de Copeau são ‘qu’on nous laisse un théteau nu! (De-nos um palco nu!)Ele criou a primeira casa de apresentações do mundo moderno lançando um olhar para o passado (Thomas Leabhart, Modern and Post-Modern Mime).

Bibliografia:

GROTOWSKI,Jerzy.Em busca de um teatro pobre.Rio de Janeiro:Civilização Brasileira,1976.Trad.Aldomar Conrado.

LEABHART,Thomas.Modern and Post-modern Mime.London:Macmillan Press,1989.Tradução nossa.

RAEDERS,Georges.O cinquentenário da fundação do Vieux Colombier.Porto Alegre:Editora da Universidade do Rio Grande do Sul, 1965.

STANISLÁVSKI,Constantin.Minha vida na arte.São Paulo:Anhembi ltda,1956.Trad.Esther Mesquita.

PAVIS,Patrice.Dicionário de teatro.São Paulo:Perspectiva,2007.3ª edição.Trad.Jacó Guinsburg e Maria Lúcia Pereira.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Saraband

 

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Vida:palavra que não cabe em si.Causa, não obstante, um sentimento tão indizível quanto o substantivo que inicia o presente texto o deparar-se com um discurso artístico que consiga plasmar em som ou imagem uma representação digna da beleza enigmática do espírito humano.

Bergman concluiu sua obra-em-vida com este texto maestralmente esculpido em imagem-tempo.Quiça esteja ele, para a história do cinema, como Bach está para a história da música.

*Cabe notar que o filme aqui referenciado constitui continuação a um outro que Bergman dirigira anos antes, “Cenas de um casamento”, no qual o diretor trabalhou ao lado dos mesmos atores que protagonizaram “Saraband”.Fica a sugestão: assistam os dois.Aliás, não só a estes, mas a toda obra de Bergman !

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Especial Judith Malina (Living Theater):

 

Entrevista concedida por Judith Malina à Gerald Thomas.Em inglês.Precisa de alguma descrição ?

Remetam ao youtube para a segunda parte.

E aqueles que se interessam por Malina e o Living Theatre provavelmente apreciarão as entrevistas que seguem.Caso encontre algo de interessante na internet, compartilhe.Let's share...